A Justiça de Mato Grosso concedeu recolhimento domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica à advogada Dayane Karol Moreira da Silva, presa durante a Operação Replay, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao núcleo financeiro de uma facção criminosa em Mato Grosso.
A decisão foi assinada na última sexta-feira (21) pela juíza Edna Ederli Coutinho, do Núcleo 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá. Com a medida, a advogada deixa a prisão, mas deverá cumprir as restrições determinadas pela Justiça e usar monitoramento eletrônico.
Segundo a defesa, um dos fatores considerados para a concessão do benefício foi o fato de Dayane ser mãe de um filho menor de idade. O advogado Jean Carlos Pereira informou ainda que entrou com um novo pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) para tentar obter a liberdade da cliente.
De acordo com a Polícia Civil, a advogada teria atuado na regularização de documentos de imóveis registrados em nome de terceiros para dar aparência de legalidade a bens investigados no esquema de lavagem de dinheiro. A defesa, no entanto, nega que ela soubesse da origem ilícita dos recursos e afirma que apenas prestou serviços jurídicos de forma regular.
As investigações apontam que a contratação da advogada teria sido feita por um suposto “laranja” ligado a Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”, apontado pela polícia como tesoureiro da organização criminosa. Preso desde 2024, ele é suspeito de continuar comandando parte das atividades do grupo de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá.
A Operação Replay teve como alvo 15 investigados e é resultado do desdobramento de outras investigações da Polícia Civil. Segundo os investigadores, mesmo após prisões anteriores, o grupo teria mantido o funcionamento da estrutura financeira da facção, utilizando pessoas de confiança para movimentar dinheiro e ocultar patrimônio.
Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 38 milhões em bens e valores. Desse total, cerca de R$ 20 milhões correspondem a imóveis e veículos de luxo, enquanto outros R$ 18 milhões foram bloqueados em ativos financeiros. A investigação continua.





