Foragidos da Justiça de Mato Grosso usavam uma estrutura de uma facção criminosa no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, para se esconder e, segundo a Polícia Civil, continuar articulando ações ligadas ao tráfico de drogas em Mato Grosso.
As informações foram divulgadas nesta terça-feira (25), durante a Operação Dark Route, que investiga a atuação do Comando Vermelho no eixo entre Cuiabá e Rio de Janeiro.

Segundo a Polícia Civil, os criminosos mantinham uma rotina aparentemente normal dentro da comunidade, circulando pelas ruas enquanto continuavam ligados às atividades criminosas em Mato Grosso.
Um dos investigados, apontado como braço direito da liderança do grupo, foi preso no Rio de Janeiro na quinta-feira (20), depois de sair do Complexo do Alemão para ir a uma academia.
O principal alvo da operação é um homem conhecido como “Batman”, que continua foragido no Rio de Janeiro. De acordo com o delegado Antenor Pimentel, ele fugiu para o estado em 2025, após receber progressão de regime e romper a tornozeleira eletrônica.
Durante as investigações da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a polícia identificou novos elementos sobre a atuação do suspeito no comando de um grupo chamado “Tropa do Batman”.
“Foi montado esse inquérito, que tem um foco específico em alguns integrantes da Tropa, alguns soldados e também na frota de luxo que eles exibiam nas redes sociais. Foi obtido mais um mandado de prisão para o Batman”, afirmou o delegado.
Segundo a investigação, o Complexo do Alemão funcionava como uma base de proteção e apoio para criminosos procurados pela Justiça de Mato Grosso, integrantes armados e pessoas ligadas à liderança do grupo.
A polícia também identificou integrantes armados, chamados de “soldados”, que atuariam em áreas dominadas pela facção no Rio. Segundo os investigadores, há registros envolvendo fuzis de uso restrito, além de armas e munições.
Outro ponto investigado é a utilização de carros de luxo ligados à chamada Tropa do Batman. A Justiça determinou o sequestro de cinco veículos avaliados em aproximadamente R$ 1,5 milhão. Parte dos carros estava registrada em nome de terceiros, mas seria utilizada por pessoas próximas à liderança.
Ao todo, a Operação Dark Route cumpre nove mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em Várzea Grande e no Rio de Janeiro. Além do investigado preso anteriormente no Rio, outros dois alvos foram presos nesta terça-feira em Várzea Grande.
A investigação também busca atingir os setores financeiro, operacional, logístico e patrimonial da organização criminosa.
Segundo a Polícia Civil, o principal alvo continua escondido no Rio de Janeiro e, mesmo após deixar Mato Grosso, teria mantido contato com operadores financeiros, integrantes armados, familiares e outras pessoas responsáveis pelo suporte ao grupo.
A operação é conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Draco, com mandados autorizados pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias – Polo Cuiabá.





