Diretores da Penitenciária Ferrugem, em Sinop são acusados de mandar um detento atentar contra um juiz, um promotor e um defensor público durante uma audiência dentro do presídio, em 30 de outubro. As informações estão em relatório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), divulgadas na semana passada.
Segundo o documento, o diretor Adalberto Dias de Oliveira e o subdiretor Antônio Carlos Negreiros teriam “encomendado” o ataque. O executor seria Ismael da Costa dos Santos, apontado como líder do Comando Vermelho em MT.

A motivação seria atrapalhar as investigações sobre tortura na unidade. Em troca, prometeram ao detento transferência para o setor evangélico da penitenciária e vaga em trabalho externo.
O preso revelou o plano durante o próprio depoimento. Ele mostrou que estava com as algemas dos pés removidas (“marca-passo”) e que as dos pulsos estavam apenas simuladas, caindo facilmente quando ele as sacudiu. Ismael afirmou que poderia ter entrado com um estilete artesanal (“chucho”), mas desistiu.
O relatório apontou ainda a ausência deliberada de agentes penais na sala de audiência, quebrando o protocolo de segurança.
O fato levou à decisão do TJMT, na última sexta-feira (19), de afastar imediatamente toda a cúpula do presídio. Além dos dois diretores, foram suspensos um agente penitenciário e o diretor em exercício.

A investigação encontrou “práticas sistemáticas de tortura” na unidade, incluindo espancamentos, contaminação proposital da água usada pelos presos, uso abusivo de spray de pimenta e balas de borracha.
As investigações criminais sobre o atentado frustrado e as torturas seguem pelo Ministério Público e Polícia Civil.





