Em Jaciara, no sudeste de Mato Grosso, há produtores que desistiram da soja nesta safra e agora buscam cobrir os custos de produção com o algodão. Um exemplo é a família Fritsch, que destinou 3.600 hectares ao cultivo da oleaginosa.
Na região, as chuvas estiveram presentes no início do ciclo, mas desapareceram em momentos cruciais, comprometendo o desempenho das áreas plantadas mais cedo. O produtor rural Murilo Degasperi Fritsch relata que a previsão era colher os talhões precoces na virada do ano, mas os trabalhos foram adiantados. “Devido ao fenômeno El Niño, 2023 foi totalmente atípico. Estamos colhendo cerca de 20 sacas por hectare, quando esperávamos aproximadamente 70 sacas”.
Segundo ele, a propriedade já enfrentou momentos de seca, mas nada comparado ao experimentado neste ano.
No médio-norte, em Ipiranga do Norte, a colheita da soja também foi iniciada antes do planejado em uma área de cerca de 240 mil hectares. A presidente do Sindicato Rural de Ipiranga do Norte, Karine Inês Berna de Souza, observa que na lavoura há uma planta mais baixa, as plantas que eram de porte alto ficaram em uma estatura menor, e elas estão usando todo o seu vigor para se manter de pé e tentar encher o grão. “Precisamos de chuva agora, mas infelizmente teremos quebra de safra no município.”
Em São José do Rio Claro, outro município do médio-norte mato-grossense, a falta de chuva também ocasiona a quebra de safra de soja. Na propriedade do produtor rural Jeterson Trettinger, foi necessário replantar a lavoura duas vezes. “Com o replante, estima-se que se perca pelo menos dez sacas por hectare, independente da época.”




