STJ vai analisar investigação que cita Mauro Mendes em apuração sobre mercúrio ilegal para garimpo

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O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deverá analisar um dos desdobramentos da Operação Hermes II, após o Ministério Público Federal (MPF) pedir o envio da investigação que cita o ex-governador de Mato Grosso e atual candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil). A apuração investiga um suposto esquema de comércio ilegal de mercúrio utilizado na extração de ouro na Amazônia.

A decisão foi tomada pela 1ª Vara Federal de Campinas (SP), que entendeu que, na época dos fatos investigados, Mauro Mendes ocupava o cargo de governador de Mato Grosso, o que justificaria o envio do caso ao STJ.

Segundo o MPF, documentos apontam que Mauro Mendes figurava como sócio da empresa Maney Participações Ltda., que possuía participação na Mineração Aricá entre 2011 e 2020. A investigação também afirma que as empresas Aricá e Kin Mineração teriam adquirido, entre 2022 e 2023, cerca de 314 quilos de mercúrio sem autorização do Ibama, produto que, conforme a apuração, teria sido usado na produção de ouro.

Ainda de acordo com a investigação, o mercúrio era adquirido por meio de um grupo suspeito de contrabando e as operações seriam ocultadas com notas fiscais que registravam a venda de produtos como “bolas de ferro”, quando, na verdade, se referiam ao metal.

Conversas interceptadas durante a investigação também mencionam a Mineração Aricá como sendo ligada a Mauro Mendes. Em um dos diálogos, um dos investigados afirma que a empresa seria “do Mauro”. Em outra conversa, o suposto fornecedor de mercúrio ilegal faz referência ao destino do produto como “garimpo do Mauro Mendes”.

Com base nesses elementos, os procuradores entenderam que há indícios suficientes para que a investigação envolvendo o então governador seja analisada pelo STJ.

Defesa de Mauro Mendes

Em nota, Mauro Mendes negou qualquer participação nas empresas investigadas e afirmou que deixou o quadro societário há mais de seis anos. Segundo a defesa, desde 2022 a gestão das empresas passou a outro sócio e, em 2024, a empresa Sollo Mineração também deixou a sociedade.

A defesa classificou como “absurdo” o fato de uma visita a uma empresa ser utilizada como fundamento para investigação.

Os advogados também sustentam que a investigação se baseia em suposições e documentos incompatíveis com os registros oficiais, além de questionarem o momento em que o pedido veio a público, às vésperas das eleições.

A investigação segue em andamento, e caberá ao Superior Tribunal de Justiça decidir sobre o prosseguimento do caso envolvendo o ex-governador.