Entenda o esquema de fraude investigado pela polícia que envolve a prefeitura de Sinop e a gestão da Saúde

IGPP foi afastado da administração da Saúde de Sinop após determinação da Justiça - reprodução
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Uma investigação envolvendo o entorno do prefeito Roberto Dorner (Republicanos) veio à tona nesta quinta-feira (19), com a deflagração da Polícia Civil (PC) da operação Cartão-Postal, que apura a atuação de uma organização criminosa na gestão da Saúde de Sinop.

A investigação, segundo a PC, concluiu que o suposto esquema favoreceu instituto IGPP (Instituto de Gestão de Políticas Pública) para atuar na terceirização da prestação de serviço e fraudar contratos para obter lucros. A organização teria a participação de funcionários da prefeitura.

Ao todo, R$ 87,4 milhões em contas e bens dos investigados foram bloqueados pela Justiça.

Quem são os envolvidos

A operação Cartão-Postal fez buscas e apreensões de duas pessoas próximas ao prefeito: Daniela Galhardo, secretária municipal de Saúde, que já é alvo de outra investigação aberta pelo Ministério Público, e do procurador-geral da prefeitura, Ivan Schneider.

A operação investiga se o instituto que terceiriza a gestão da Saúde do município fraudou contratos para obter lucros com a participação do poder público.

Segundo a PC, a organização criminosa agia em um sofisticado esquema de atuação com hierarquia e divisão de tarefas entre os investigados.

A origem da investigação

O Cartão-Postal foi coordenado pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) em desdobramento de uma investigação que durou mais de 6 meses, de acordo com a Polícia Civil.

Quais são as provas do esquema

A Polícia Civil não apresentou provas que comprovem o esquema criminoso, mas informou que, com base de denúncias, realizou diversas diligências para confrontar informações e identificar pessoas e empresas envolvidas. A polícia concluiu que a suposta organização fraudou de modo consistente os serviços e dividiu os lucros com os líderes do esquema.

Envolvidos

Com base nas investigações, a Justiça determinou o bloqueio dos valores das contas bancárias de 34 pessoas físicas e jurídicas. Além disso, foram feitos o sequestro de bens de 29 alvos da investigação para somar um valor de R$ R$ 87.419.285,01, que corresponde três contratos entre o instituto e a prefeitura.

Defesa

O IGPP não se manifestou. A Justiça determinou a suspensão dos serviços prestados pelo instituto em Sinop.

Após a operação ser deflagrada, o prefeito Roberto Dorner disse que ‘foi pego de surpresa’ e que ‘confia nos servidores e secretários até que provem ao contrário’.

O procurador-geral da Prefeitura de Sinop, Ivan Schneider, que foi alvo de busca e apreensão e teve imóveis e carros de luxo apreendidos, afirmou que “por ser um contrato público, isso reflete na administração, mas a investigação, a apuração, a possível existência de malversação do dinheiro público, está atrelada ao IGPP”.

A secretária de Saúde Daniela Galhardo não se manifestou. Ela foi afastada do cargo por determinação da Justiça e está proibida de acessar as instalações administrativas da Saúde do Município.