As investigações sobre a queda de um avião que matou três pessoas na zona rural de Água Boa, a 730 quilômetros de Cuiabá, apontam que a aeronave tinha como possível destino a Venezuela e pode ter sido utilizada no tráfico internacional de drogas, segundo a Polícia Civil. O acidente aconteceu na última quinta-feira (10).
Entre os ocupantes estavam um brasileiro, que teria comprado o avião cerca de quatro meses antes, e dois paraguaios. A Polícia Civil investiga a origem, o destino do voo e as circunstâncias da viagem.
Segundo a investigação, a aeronave é um Cessna, de prefixo N401NA, e não possui registro na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A compra do avião também está sendo investigada.
De acordo com a Polícia Civil, a aeronave teria sido adquirida por um valor elevado por uma pessoa cuja situação financeira, conforme os investigadores, não seria compatível com a negociação. O pagamento teria sido feito parte em dinheiro e parte com um veículo de alto valor.
Ainda segundo a investigação, o veículo utilizado na negociação já havia sido registrado em nome de uma pessoa investigada por tráfico internacional de drogas.
A polícia também descobriu que um dos ocupantes tinha pendências judiciais no país de origem e restrição para deixar o território nacional. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
A investigação aponta que o avião decolou de Goiânia, em Goiás, sem documentação válida, autorização ou plano de voo aprovado.
Para a Polícia Civil, essas circunstâncias reforçam a suspeita de que a aeronave estaria sendo utilizada em uma operação clandestina.
A análise do possível itinerário indica que o avião poderia seguir para um país vizinho, com possível destino à Venezuela. Familiares de um dos ocupantes também relataram aos investigadores que ele havia informado que viajaria para o país.
O avião caiu em uma região isolada da zona rural de Água Boa e pegou fogo após o impacto. A aeronave foi destruída pelas chamas.
Os três ocupantes foram identificados preliminarmente como um brasileiro e dois paraguaios. A Polícia Civil informou que a identificação definitiva depende dos exames realizados pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Por questões de logística, os corpos foram encaminhados para a Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, em Cuiabá.
As investigações estão em fase final e dependem da conclusão dos laudos periciais. A Polícia Civil também continua analisando a compra da aeronave, a forma de pagamento, o itinerário e as circunstâncias do voo para esclarecer se o avião tinha relação com o tráfico internacional de drogas.




