A Justiça de Mato Grosso concedeu prisão domiciliar a Ingride Fontinelles Morais, apontada pela polícia como companheira do líder de uma facção criminosa em Sorriso (MT). A decisão, da última sexta-feira (6), permite que ela saia de casa apenas para levar as filhas, de 5 e 2 anos, ao médico e para comparecer a audiências judiciais, mediante comunicação prévia .
Ingride foi presa em agosto de 2025 em um shopping no Rio de Janeiro, onde estava foragida há dois anos, e responde por associação criminosa e tráfico de drogas. A defesa argumentou que ela é a única responsável pelas crianças e não possui rede de apoio familiar. Segundo os autos, o pai das meninas, a avó materna e a irmã dela estão presos ou foragidos, enquanto a avó paterna, idosa, não tem condições de cuidar das netas .
O relator do habeas corpus, desembargador Rui Ramos Ribeiro, destacou que a manutenção da prisão preventiva imporia às crianças um ônus desproporcional, em afronta ao princípio da intranscendência da pena. A decisão também se baseou no artigo 318 do Código de Processo Penal, que autoriza prisão domiciliar para mulheres com filhos menores de 12 anos .
Entre as medidas cautelares impostas estão monitoramento por tornozeleira eletrônica, comparecimento mensal em juízo, proibição de mudar de endereço ou deixar a cidade sem autorização e vedação de contato com testemunhas do processo .
Ingride foi presa junto com Priscila Moreira Janis, conhecida como “Mana Isa”, que assumiu a chefia da facção em 2022. Investigação aponta que a postura violenta de Priscila provocou uma divisão no grupo, com integrantes insatisfeitos criando uma facção rival, o que intensificou a disputa e resultou na morte de diversos membros do crime organizado na região





