Durante a sessão ordinária desta sexta-feira (15), o projeto que altera uma Lei de 2015, sobre a doação de terreno para uma empresa agrícola em Sinop, foi aprovado com cinco votos contrários dos vereadores Elbio Volkweis (Patriotas), Dilmair Callegaro (PSDB), Mário Sugizaki (Podemos), Celsinho do Sopão (Republicanos), Allan Marca (Solidariedade) e uma abstenção do vereador Lucinei Aparecido (MDB).
O projeto, que gerou controvérsias, alterou as condições estabelecidas para uma área doada em 2015 pela prefeitura a uma empresa do Rio Grande do Sul. Com cerca de 31,1532 hectares e avaliada em aproximadamente R$ 186 milhões, o terreno foi destinado para a empresa investir R$ 15 milhões na construção de um laboratório de pesquisas, residências para funcionários, alojamentos para pesquisadores, laboratórios e maquinários agrícolas.

Contudo, vereadores criticaram que as condições estabelecidas para a doação do terreno não foram cumpridas, visto que a empresa construiu uma beneficiadora de algodão no local, em vez das estruturas previstas no contrato inicial. Vereadores como Mário Sugizaki questionaram a presença da algodoeira, argumentando que a construção não estava contemplada no acordo original de doação.
Em entrevista após a votação, o vereador Elbio Volkweis defendeu a devolução do terreno ao domínio municipal e criticou a aprovação do projeto. “A empresa veio para Sinop em 2019, o prazo do projeto já tinha se expirado, porque não pegaram a área de volta? Agora fica minha indignação, o vereador [Ademir] virou presidente por duas sessões, coloca um projeto desse e pede em primeira e única votação”

A polêmica votação contou com o voto contrário do Celsinho do Sopão, da base aliada do prefeito Roberto Dorner, mesmo partido de Ademir Bortolli (Republicanos). “É uma área muito valorosa onde nós temos muitas empresas no nosso município, e não ganhamos área. Meu voto foi contrário sim, doar uma área, estipulada em quase 160 a 180 milhões. Acho que tem muitas entidades que poderíamos doar essa área aí, deixo aqui a minha indignação, com respeito a todos os parlamentares que votaram”.

O vereador Ademir Bortolli não quis gravar entrevista, mas durante a discussão para votar o projeto no plenário, defendeu a empresa beneficiada pela modificação da lei, argumentando que a área não poderá ser vendida pela empresa e que desde 2020 começou a contratar funcionários, e segundo ele, estava dentro do prazo estabelecido nas condições do contrato, e que a empresa é a única algodoeira de Sinop.

A área doada pela prefeitura está localizada na Gleba Celeste – 4ª Parte, Bairro Lídia, para a empresa Super Sementes Genética e Melhoramento de Plantas Ltda – ME. Embora procurada pela reportagem, a empresa não quis se manifestar sobre o assunto.





