A jovem, hoje com 18 anos, que matou a adolescente Isabele Guimarães Rosa em 2020, em Cuiabá, foi expulsa do curso de medicina da faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas (SP). A decisão foi tomada após uma denúncia feita ao comitê de compliance da instituição, indicando que a presença da aluna estava gerando um clima de instabilidade no ambiente acadêmico.
Em nota, a faculdade esclareceu que, após uma apuração, foi constatado que a presença da aluna “gerou um clima interno de grande instabilidade do ambiente acadêmico”. Um grupo de mães teria se assustado com a presença da jovem nas aulas e pressionado a faculdade.

O diretor de graduação da faculdade, Guilherme Succi, ressaltou que o desligamento da estudante visa garantir a segurança de todos os envolvidos. “Com base no Regimento Interno da Instituição e no Código de Ética do Estudante de Medicina, publicado pelo Conselho Federal de Medicina, a faculdade São Leopoldo Mandic decidiu pelo desligamento da aluna, assegurando a ela a apresentação de recurso, em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa”, afirmou a instituição.
Além disso, o diretor disse que a faculdade irá devolver os valores pagos pela estudante. A mensalidade para o curso de medicina na São Leopoldo Mandic custa cerca de R$ 13 mil. Até o momento, não houve manifestação da defesa da estudante sobre um possível recurso.
O caso
Isabele Guimarães Rosa foi morta por um tiro de pistola 380, que perfurou sua narina e saiu pelo crânio, na noite de 12 de julho de 2020, durante um encontro na casa de uma amiga em Cuiabá. A adolescente, então com 15 anos, foi apontada como responsável pelo disparo. Peritos constataram que o gatilho foi acionado enquanto a vítima estava na frente da arma, a uma altura de 1,44 m do chão.

Em seu depoimento, a adolescente alegou que a arma pertencia ao namorado, de 16 anos na época, e que se desequilibrou enquanto chamava Isabele para fora do banheiro, fazendo com que a arma caísse e disparasse. No entanto, há indícios de que a cena do crime foi modificada, com testemunhas relatando a ausência da arma próxima ao corpo e a limpeza incompatível com uma morte por tiro na cabeça.
Durante o inquérito, 24 pessoas foram ouvidas, mas a adolescente não participou da reconstituição do crime, alegando falta de condições psicológicas. O pai da adolescente foi indiciado por crimes relacionados ao porte e posse irregular de arma de fogo, além de fornecer a arma à menor de idade.





