Agente de limpeza é solto após ficar 2 meses preso por engano em Sinop

Presídio Osvaldo Florentino Leite (Ferrugem) - foto: assessoria
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Um agente de limpeza, de 33 anos, foi solto no sábado (4), em Sinop, após passar dois meses preso preventivamente por engano. Ele foi confundido com um ladrão de joias, celulares e perfumes.

O crime foi registrado em janeiro de 2017. Na época, dois celulares, joias e perfumes foram roubados em um sítio em Carlinda. Conforme a Defensoria Pública, uma das vítimas reconheceu o suspeito por uma foto em preto e branco.

Segundo a Defensoria, o homem preso na Penitenciária Osvaldo Florentino Leite (Ferrugem) não era a mesma pessoa processada. O verdadeiro suspeito é preto e pardo, enquanto o trabalhador é branco, calvo e com sardas.

“Ele nunca foi ouvido nem procurado durante o inquérito. Em 2022, o promotor ofereceu a denúncia e teria confirmado com o investigador da polícia que o nome do acusado era o do trabalhador”, destacou a Defensoria.

Em depoimento online, o agente de limpeza disse que nunca esteve em Carlinda, que se mudou do Maranhão para Sinop em 2013 e, desde então, nunca havia saído da cidade.

“Nem sei onde fica Carlinda ou Alta Floresta. Os policiais me prenderam na empresa. Fiquei decepcionado, nervoso. Nunca tinha sido preso na minha vida. Na delegacia, me trataram bem, com respeito, mas no presídio me trataram como um ladrão, um assassino”, disse ele ao defensor público.

O trabalhador contou que não tinha dinheiro para pagar por um advogado particular. Ele não tem família no estado e divide o aluguel com um amigo.

“Graças a Deus, o dono da casa não me expulsou. Eu só quero provar a minha inocência. Só isso”, desabafou.

O juiz destacou na decisão que há fortes indícios de erro de identificação, pois a fotografia do reconhecimento diverge nitidamente da fisionomia do réu preso.

O trabalhador foi colocado em liberdade, mas deve manter o endereço atualizado e comparecer à Justiça sempre que for intimado.

A Defensoria Pública classificou o caso como prisão ilegal e violação à presunção de inocência.