O comandante-geral da PM-MT, coronel Alexandre Corrêa, divulgou, neste domingo (05), uma carta aberta sobre a ocorrência policial que terminou com a morte de Diego Kaliniski, de 26 anos, em Vera, durante a madrugada.
No texto, o chefe da Polícia Militar do estado disse que as opiniões sobre o caso ‘soam frágeis’ e pediu diálogo sobre “crise de autoridade que permite um jovem esmurrar um policial”.
“Perante a realidade policial soam frágeis todas as opiniões, especialmente as passionais, ditas a quente. Convocar a técnica policial para provar que uma vida humana pode ser ceifada, legalmente, não justifica o tamanho da perda”.

“Precisamos falar sobre a ação policial sim, e para tal um inquérito está em andamento. Mas precisamos falar também sobre a crise de autoridade que permite um jovem esmurrar um policial a fim de evitar ser conduzido”. escreveu o coronel.
Diego Kaliniski morreu com disparos de arma de fogo efetuados pela PM após resistir a prisão e tentar agredir um policial após tomar o cassetete. O irmão dele, de 32 anos, foi atingido na mão e um outro jovem foi alvejado de raspão na perna.

O coronel Alexandre Correa disse que as providencias do caso estão sendo tomadas para evitar ‘mais traumas’ nos familiares e nos policiais envolvidos na ocorrência.
“Todas as providências foram e estão sendo tomadas para que familiares e a tropa em questão não tenham ainda mais traumas a digerir, refletir e, por fim, lhes sobreviver — porque assim a vida pede”.
Os policiais envolvidos no caso foram afastados.

Outro lado
Os familiares de Diego Kaliniski acusaram a polícia de despreparo na morte do rapaz, que poderia ter usado maneiras não letais para conter o jovem.
“A polícia tinha meios não letais para imobilizar. Eles escolheram assassinar meu primo”, disse Jessica Vasconcelos, prima da vítima.
O sepultamento de Diego está previsto para ocorrer nesta manhã (6).

Veja na íntegra carta divulgada pelo comandante-geral da PM-MT, coronel Alexandre Correa.
Perante a realidade policial soam frágeis todas as opiniões, especialmente as passionais, ditas a quente. Convocar a técnica policial para provar que uma vida humana pode ser ceifada, legalmente, não justifica o tamanho da perda, e como pais e mães nessas horas, resta-nos a dor pelos familiares e o pasmo da comunidade ordeira e pacífica de Vera.
Precisamos falar sobre a ação policial sim, e para tal um inquérito está em andamento. Mas precisamos falar também sobre a crise de autoridade que permite um jovem esmurrar um policial a fim de evitar ser conduzido. Precisamos falar também sobre o excesso de álcool, da regulação das festas e da boa educação que precede e previne o comportamento delituoso.
Precisamos falar ainda, com relevo neste caso, sobre a ausência de fiscalização e proibição de eventos regados a álcool em locais públicos; verdadeiro combustível para a quebra da ordem.
Poucos sabem mas não é apenas a PM a deter o “poder de polícia” para evitar males como esse. Regulação; fiscalização; notificação e embargo, são palavras que antecedem o trabalho policial ali — e evitam tragédias.
Pois, diante de fatos complexos não podemos dar respostas simples, do tipo “certo” ou “errado”, colocando em xeque quem chega para resolver.
Perdemos todos com a perda de uma vida. Nenhum policial sai de casa com esse propósito, embora consciente dessa possibilidade quando técnica. Nenhum jovem sai para se divertir para não retornar.
Todas as providências foram e estão sendo tomadas para que familiares e a tropa em questão não tenham ainda mais traumas a digerir, refletir e, por fim, lhes sobreviver — porque assim a vida pede.
A sabedoria veda o juízo precipitado, eximindo de responsabilidade ou culpando quem quer que seja. Para isso já temos o inflamado tribunal mídiatico.
Respeitemos, contudo, a gravidade dos fatos com ações enérgicas de modo que situações trágicas como a ocorrida em Vera jamais se repitam em nosso Estado. Sobretudo que todos os nuances sejam esclarecidos em respeito à sociedade verense que tão bem acolhe o trabalho policial.





