Vigilante de hospital é alvo de operação que investiga ‘negociação’ de corpos com funerárias em Sinop

Funerárias tinham acordo com vigilante de hospital — Foto: Polícia Civil
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A Polícia Civil de Mato Grosso desencadeou nesta quarta-feira (01) a Operação Rip Money, para cumprimento de mandados de busca e apreensão econtra três investigados por se associar criminalmente para direcionar pessoas falecidas a prestadoras de serviços funerários, em três cidades do norte do estado. Os mandados estão sendo cumpridos nas cidades de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde.

A investigação da polícia começou no ano passado para apurar os delitos de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e usurpação de função pública cometido pelos investigados, entre eles, empresários e um homem que trabalha como vigilante de um hospital público.

Conforme a polícia, o vigilante se oferecia para encaminhar corpos de pessoas que faleceram nos hospitais 13 de Maio, Regional de Sorriso e nos hospitais Santo Antônio e Regional de Sinop. Além disso, ele cobrava um percentual de cada uma das empresas com quem tinha ‘um acordo’.

A Polícia Civil apurou que o investigado já negociava com uma funerária de Sinop, Sorriso e com outras duas de Lucas do Rio Verde.

A investigação apontou ainda que o vigilante enviava informações de quando havia óbitos nos hospitais e de pacientes que estavam na UTI em estágio terminal.

polícia cumpre mandado de busca e apreensão em Sinop – foto: Polícia Civil

Abordagem a familiares

A investigação reuniu informações que demonstram que o vigilante fez negociação de direcionamento de serviços funerários de dois pacientes que ainda estavam vivos, sob o argumento de que ‘a família tem dinheiro’ e de que as pessoas estavam ‘desenganadas pelos médicos’.

Depois, ele explicou como deveria ser feita a aproximação das famílias em luto. Para isso, procurava se aproximar em momentos de mais sensibilidade se passando por funcionários da Perícia Técnica Oficial (Politec-MT), a fim de ter acesso a dados pessoais e contatos telefônicos.

A investigação encontrou conversas no WhatsApp em que o acusado demonstra alegria com a morte de pacientes: “pelo desespero da família aqui, acho que veio a óbito. Já vou descer lá”.

A Polícia Civil apurou também que dois proprietários de funerárias fizeram propostas ao vigilante para que os corpos dos hospitais públicos de Sinop fossem direcionados a suas empresas, o que caracterizou o crime de corrupção ativa.

A operação tem como objetivo apreender materiais que possam reforçar a investigação e permitir à Polícia Civil identificar os agentes estatais que integram a associação criminosa.

Nome da operação 

Rip é a sigla em latim para a expressão ‘requiescat in pace’, epitáfio que significa descanse em paz.