Quatro trabalhadores foram resgatados de situação análoga à escravidão durante uma operação realizada em propriedades rurais nos municípios de Tangará da Serra e Diamantino, em Mato Grosso, entre os dias 19 e 24 de julho.
A ação contou com a participação de Auditores-Fiscais do Trabalho, com apoio da Polícia Federal e da Justiça do Trabalho. Durante a fiscalização, foram identificadas diversas irregularidades trabalhistas e graves violações às normas de saúde e segurança.
Os resgatados — três cerqueiros e um vaqueiro — viviam em condições degradantes de trabalho e moradia. Em um dos casos, um trabalhador dormia ao relento, sobre um estrado sem colchão, exposto às condições climáticas.
Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE-MT), os trabalhadores eram pagos por diária e não tinham acesso a condições mínimas de higiene, conforto e alimentação. Os cerqueiros trabalhavam sob forte exposição ao sol, sem equipamentos de proteção e com alimentação insuficiente, recebendo apenas café preto no início do dia.
Já o vaqueiro estava alojado em uma casa em péssimas condições, com instalações elétricas precárias e risco de choque e incêndio. Sem cama, ele dormia em uma rede em ambiente considerado inadequado.
Durante a operação, atividades consideradas de risco, como trabalhos em altura e em espaços confinados, foram interditadas por apresentarem perigo iminente à vida dos trabalhadores.
Após o resgate, foram garantidos os pagamentos das verbas trabalhistas e rescisórias aos quatro trabalhadores, além de assistência para retorno às cidades de origem, todas em Mato Grosso.
A fiscalização também resultou na formalização do vínculo empregatício de dez trabalhadores que atuavam de forma irregular nas propriedades.
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, serão adotadas medidas administrativas contra os responsáveis. O órgão destacou que o trabalho escravo contemporâneo costuma se caracterizar por condições degradantes de trabalho e alojamento, e que as ações buscam garantir os direitos dos trabalhadores e responsabilizar os empregadores.





