A empresa T.F. Zimpel, que pertence à Miss Mato Grosso 2024, Taiany França Zimpel, terá que arcar com o pagamento de R$ 1 milhão em danos morais coletivos após uma operação que resgatou vinte trabalhadores, entre eles uma mulher e uma criança, em situação análoga à escravidão na Fazenda Eliane Raquel e Quinhão, em Nova Maringá, no norte do estado.
O resgate, realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, expôs as condições desumanas a que o grupo era submetido. Segundo relatos dos trabalhadores, eles precisaram se alimentar de frutas da mata, como açaí e mandioca, e beber água diretamente de um rio para sobreviver. Em alguns dias, a pesca era a única fonte de proteína. Durante os 25 dias em que permaneceram na fazenda, eles afirmaram não ter recebido nenhum pagamento pelo serviço.

As condições de alojamento eram extremamente precárias. Parte do grupo dormia em um barraco improvisado de lona e madeira, enquanto outros quatro trabalhadores estavam confinados em um contêiner sem camas, ventilação ou qualquer condição de higiene. Em um vídeo, um dos homens relatou que o mesmo rio de onde tiravam a água para beber também era utilizado como banheiro por todos.
Diante da situação, os responsáveis pelo trabalho irregular assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho. Além do R$ 1 milhão por danos coletivos, o acordo prevê o pagamento de R$ 418 mil em verbas trabalhistas e uma indenização individual de R$ 10 mil para cada uma das vítimas.
Em nota, a empresa da Miss Mato Grosso afirmou que apenas prestava serviços à fazenda e que havia terceirizado a contratação da mão de obra, negando responsabilidade direta sobre as condições encontradas no local.





