A carne bovina produzida em Mato Grosso que seria exportada para os Estados Unidos deverá ser redirecionada a outros mercados internacionais, após a assinatura de um decreto pelo presidente norte-americano Donald Trump que eleva a tarifa sobre produtos brasileiros para 50%. A medida foi oficializada nesta quarta-feira (30).
De acordo com o Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo), a exportação para os EUA se torna inviável com o aumento da tarifa. Nos primeiros seis meses deste ano, os americanos compraram cerca de 7,2% das exportações de carne bovina de Mato Grosso, o que corresponde a quase 37 mil toneladas e mais de 119 milhões de dólares em faturamento.
Segundo o vice-presidente do Sindifrigo, Luiz Antonio Freitas Martins, o setor já iniciou negociações, com apoio do Governo Federal e do Ministério da Agricultura, para ampliar o comércio com países como Coreia do Sul, Vietnã e Japão — considerados estratégicos.
Esses países ainda não compravam carne brasileira por falta do reconhecimento como livre de febre aftosa sem vacinação, mas essa barreira foi superada há dois meses.
Ainda conforme o Sindifrigo, o impacto imediato foi minimizado porque o setor já havia interrompido, há cerca de 10 dias, a produção voltada especificamente para o mercado norte-americano, evitando excedentes nos frigoríficos.
O Ministério da Agricultura e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) avaliam, no entanto, que não há outro país capaz de absorver sozinho as 400 mil toneladas previstas para os EUA este ano. Parte desse volume poderá ser redirecionada ao mercado interno e outros destinos, mas com preços e logística menos vantajosos.





