A Polícia Civil de Mato Grosso indiciou um dentista pela morte do pecuarista Antônio Lopes de Siqueira, de 73 anos, que ganhou sozinho R$ 201 milhões na Mega-Sena e morreu 25 dias depois durante um tratamento odontológico em Cuiabá.
O dentista foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, por não seguir as normas técnicas da profissão. Durante o procedimento, O idoso sofreu uma parada cardiorrespiratória.
A investigação apontou várias falhas no atendimento: falta de monitoramento dos sinais vitais, como o uso de oxímetro e monitor cardíaco, e uma avaliação inicial do paciente feita apenas com um formulário simples. A clínica não tinha equipamentos de emergência como desfibrilador.
Além disso, foi aplicada uma dose alta de anestésico sem levar em conta que Antônio tinha problemas cardíacos, hipertensão e diabetes, e não houve avaliação cardiológica prévia. A reação do paciente não foi tratada corretamente, e ele foi liberado da clínica mesmo com sinais de piora.
O inquérito agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se denuncia o dentista. A Polícia Civil não divulgou o nome do profissional e a reportagem não conseguiu contato com a defesa nem com o Conselho Regional de Odontologia.
Antônio morreu no dia 4 de dezembro, em Cuiabá, e foi enterrado em Jaciara, no interior do estado. Ele tinha quatro filhos e trabalhava com compra e venda de gado.
O prêmio que recebeu foi um dos dez maiores da história da Mega-Sena. A aposta simples, com apenas seis dezenas, custou R$ 5 e foi registrada com os números escolhidos pelo sistema, no método chamado “surpresinha”.





