O advogado Marcos Vinicius Borges foi condenado, nessa segunda-feira (21), a cinco anos de prisão por estelionato contra clientes e tráfico de influência em Sinop. Marcos Vinicius ficou conhecido após defender um dos responsáveis pela chacina que deixou 07 mortos em Sinop.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o criminalista obteve vantagens de clientes ao cobrar valores acima dos honorários previstos, com a justificativa de que o dinheiro seria utilizado para pagar propina a policiais e delegados.
O advogado informou, em nota, que cobrou corretamente pelos serviços prestados e que vai recorrer a decisão.

Denúncias
Um dos casos ocorreu em 30 de agosto de 2017. Um homem havia sido preso por direção perigosa e desobediência. Segundo o boletim de ocorrência, Marcos Vinicius foi até o local e disse para o homem que a situação dele era grave e que seria encaminhado para a delegacia.
O advogado teria oferecido o valor de R$ 3 mil pelos serviços. A vítima disse que não tinha dinheiro para pagar e ofereceu a moto dele, avaliada em R$ 20 mil, como forma de pagamento. Segundo o boletim, para justificar o valor, o advogado disse que uma parte seria destinada para os policiais facilitarem a soltura dele.
Em depoimento, Marcos Vinicius disse que o fato aconteceu em 2017 e que ele havia se tornado advogado em 2016. Segundo ele, na época, não tinha a experiência e entendimento que tem hoje.
Na decisão, o juiz argumentou que a vítima iria vender a motocicleta para pagar os honorários que seriam de R$ 3 mil e relatou que, no outro dia, soube que seria cobrado o valor de R$ 20 mil pelos serviços. Quanto ao relato de que o advogado iria repassar parte do dinheiro para um delegado, o juiz informou que o caso “é uma ofensa à moralidade da administração pública”.
‘Gorjeta’
O segundo caso ocorreu em 10 de novembro de 2017. Um homem teria sido encaminhado à delegacia por embriaguez ao volante. Segundo o boletim de ocorrência, Marcus Vinícius disse ao homem que se não o contratasse ele ficaria preso. Além disso, a vítima teria que pagar R$ 10 mil para honorários, R$ 2 mil para fianças e mais um valor para gorjeta aos policiais de plantão para fazerem ‘vista grossa’.
O juiz disse, na decisão, que o advogado solicitou R$ 2 mil de fiança, porém, o valor fixado pela autoridade policial foi de R$ 470. Além disso, a vítima teria, por duas vezes, dispensado os serviços do advogado, mas ele ignorou.
3° Caso
O terceiro caso ocorreu em 18 de março de 2018. Um homem foi encaminhado para a delegacia por brigar com o cunhado devido a uma desavença familiar.
Segundo o boletim de ocorrência, mesmo sabendo que o homem não seria preso, o advogado teria dito para a mulher que a situação do marido era grave e caso não o contratassem, ele iria ser encaminhado para o presídio.
No boletim, o advogado teria dito que se não o contratassem, o delegado responsável pelo caso não iria ouvir ele no mesmo dia porque havia muitos processos na frente. A mulher da vítima teria pago R$ 1 mil reais para o advogado.
Em depoimento, o advogado disse que ainda não vê o boletim de ocorrência como um caso simples e, pelo que lembra, foi narrado uma briga generalizada e pessoas com faca.
O juiz informou na decisão que, por mais de uma vez, as vítimas não souberam quais os serviços prestados pelo advogado.





